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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Diversas formas de se aprender

Nesta noite nos reunimos em torno do grande círculo de pedras, nossa pequena roda, e como sempre é extremamente prazeroso estar em casa, nosso verdadeiro lar e nos sentirmos em paz com nosso corpo, mente e alma. Neste local, o grande e o pequeno são apenas do mesmo tamanho e tem a mesma função junto ao universo que é o todo.

E na alegria de estarmos com nosso povo e antepassados, um de nossos guerreiros de carne e osso, agradeceu pela grande mudança que aconteceu em sua vida, e como as pessoas a sua volta o ajudaram quando ele mais precisou, mudando todo o campo energético não só de nossa terra sagrada, mas também dele e de todos os envolvidos.

Comentamos sobre os acontecimentos e lembramos, ou fomos lembrados que problemas veem e vão, porém a forma que conseguimos passar por eles é o que conta e que a cada tombo que levamos, aprendemos uma nova forma de cair e mais uma forma de levantar e continuar em nosso caminho. Sempre caminhando, sempre buscando, sempre aprendendo. É isso que queremos para nós.

Como disse no dia, torno a dizer, tenho muito orgulho de estar ao lado de guerreiros tão valorosos, não só quando estou na roda, mas em toda a minha vida. Peço que todos consigam chegar aos seus objetivos, através de suas conquistas e méritos, nestas e em outras vidas.

Após uma longa conversa, recebemos um pedido de ajuda de um dos guerreiros presentes. Ele pedia ajuda para sua família que estava passando por um momento difícil e de muito aprendizado, porém apenas viam um grande problema e não as vitórias que este ‘problema’ poderia trazer a todos. E então através de danças e músicas conseguimos canalizar e enviar alguma energia a eles, para que pudessem realmente enxergar o que acontecia com todos os envolvidos.

Além de dança e música, pedimos que o Fogo Sagrado pudesse clarear os caminhos e mostrar que, aquilo que parecia um problema, na verdade era um grande aprendizado de um ser muito iluminado. E para finalizarmos a cura de todos, abrimos então a grande roda de cura, que mais uma vez nos surpreendeu, mostrando seu potencial e esplendor.

Agradeço a todos os seres presentes nesta noite, todos os elementais, o povo de pele vermelha que sempre nos acompanha, os animais de poder, o sagrado feminino, o sagrado masculino e ao criador de tudo e todos, Wakan Tanka, grande espírito, grande mistério.

AHOW IRMÃOS!!!


quinta-feira, 31 de março de 2011

Paz e tranquilidade

Em uma noite agradável e muito tranquila, estávamos reunidos em torno do grande círculo de pedras mais uma vez para celebrar a vida, com seus altos e baixos, pois é assim ela é.

Abrimos o ritual nos limpando e pedindo a cura de nossos pensamentos e alma em mais uma noite de felicidade. Então cantamos com nossos corações. Dançamos com nossas almas. E assim fomos de encontro ao caminho escolhido por cada um, que muitas vezes parece obscuro e tenebroso, porém basta mudamos o nosso ângulo de visão para vermos que a luz também habita este caminho e encontrarmos assim o equilíbrio, que nos leva a paz interior.

Então recebemos uma grande benção do Grande Espírito, pois um antigo descendente do Povo Vermelho se fez presente e suas mãos nos trouxeram energias tão boas que o silêncio se fez presente em nossos corações e almas. Agradeço ao Grande Espírito e todos os seres de Luz presentes por mais este presente que é muitas vezes até esquecido pela humanidade, que é a paz e tranquilidade que é quando o silencia habita, nem por que segundos, nossos seres.

E após conversamos um pouco, iniciamos nosso contato com o Fogo Sagrado que mais uma vez, nos trouxe conforto e a cura de nossos corpos.

Uma noite tranquila, porém não mais, nem menos importante que todas as outras em nossas vidas. E que venham muitas outras noites em contato com a grade roda.

AHOW IRMÃOS!!!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Homenagem a Vovó Lua e a Grande Mãe Terra

É muito gratificante saber que as nossas energias estão em sintonia com a roda e quando isso nos é mostrado no dia a dia e conseguimos entender essas mensagens, é mais ainda. Logo pela manha, no dia em que nos reuniríamos para celebrar a grande roda, um irmão de roda falou comigo, pois naquela noite, a lua estaria plena, maior e mais perto de nós, e ele sugeriu que fizéssemos uma roda especial por este grande presente da lua. Eu mesmo já havia recebido este recado, pois além da presença de nossa Avó Lua, nossa Mãe Terra estava entrando em um novo ciclo, a primavera. E eu também gostaria de fazer alguma homenagem a essas forças femininas tão importantes para nossa vida.

O dia transcorreu e então a noite e toda sua feminilidade chegou e era latente essa força feminina que nos cercava. Lua e Terra. O sagrado feminino no seu auge e nos presenteando com toda sua sutileza. E em um de seus presentes, recebi mais um recado e agradeço por conseguir entende-lo e conseguir mais um elemento para nosso ritual. Folhas. Folhas secas de uma árvore, um ser tão lindo e que se dispôs a nos agraciar com sua presença em nosso ritual.

E então lá estávamos nós, em torno da grande roda e toda sua sagracidade era latente e bela. Abrimos a roda e após nos limparmos mentalmente, fisicamente e espiritualmente, agradecemos e as honramos, mãe e avó. A Avó Lua em sua plenitude e nossa Mãe que deixa as floras secas caírem, para que possa adubar o solo e novamente dar a luz a novas folhas, flores e fruto. Pedimos também a presença dos elementais em nossa roda, também filhos e companheiros de nossa Mãe Terra, para que estes também pudessem nos ensinar mais alguma coisa.

Agradecemos a oportunidade de poder aprender com nossa Mãe, que aquilo que não nos faz bem, deve ser deixado pra trás e que de uma certa forma, será a base para que novos aprendizados possa ser absorvidos e renascer em nossas vidas. Agradecemos nossa Avó Lua, por nos mostrar que, assim como ela, temos um lado claro e um escuro e temos que aprender a lidar com os dois e equilibrá-los. Equilíbrio que nos foi mostrado, sentido e absorvido e mais uma vez agradecemos pelo aprendizado.

Eu especialmente agradeço a um ser que na noite anterior já havia aparecido em meus sonhos e que veio compartilhar conosco da grande roda e mais uma vez, assim como já feito a muitos anos atrás, nos ensinar novamente. Fato que com certeza, jamais irei esquecer. Longa vida a você meu grande amigo de outras vidas.

Então, para homenagear e compartilhar com todos os seres presentes, montamos a Roda de Cura. Desta vez, eu tive a grande honra de colocar todas as pedras em seus lugares sagrados e sentir a cada pedra que colocava no chão, a sua real importância, o porque daquele local e a necessidade de cada uma. Uma experiência única.

Após a montagem da roda e todas suas 36 pedras, acendemos o fogo sagrado no meio da roda. Dois rituais e duas forças unidas para homenagear estes dois seres que são a representação maior do feminino. Cantamos e dançamos em torno da roda, uma música que até então nos conhecíamos, e ao cantar e dançar faço mais uma homenagem, jogando as folhas secas dentro do círculo de pedras e era como se as folhas caíssem das árvores e banhassem o chão. A luz dentro do local pulsava e brilhava. Dançamos e cantamos por muito tempo, ou simplesmente o tempo parecia não passar e o local não era mais fechando por quatro paredes, mas estávamos em uma clareira iluminada pela lua.

Então sentamos, agradecemos a todos os acontecimentos da noite, a todos os seres presentes, animais, elementais, seres iluminados e todos os presentes e encerramos o ritual, porém dentro de nossa alma ele continuará por todo o sempre, pulsando e expandindo.

AHOW IRMÃOS!!!

quinta-feira, 17 de março de 2011

A saudade, o retorno e a revelação

Após quase um mês sem nos reunirmos em nossa grande e sagrada tenda, ali nos encontramos novamente. Quatro guerreiros se reuniam novamente em torno da roda para mais uma noite de grande valia e aprendizado a todos.

Ao me sentar diante da roda, a primeira sensação que tive foi pensar na saudade estava e como é gostoso e gratificante estar ali, simplesmente sentado, mesmo sem falar uma palavra. Como já dito antes, a sensação de ‘estar em casa’ é tão grande que tudo aquilo que estava me incomodando ou drenando minhas energias se extingue e então sentimentos bons e de calmaria brotam de meu ser. Estou em paz e equilibrado comigo mesmo.

Então é feita a abertura da roda, e um dos guerreiros espoe uma grande preocupação que está afetando sua vida em muitos sentidos, e pede nossa ajuda e nossa força para que possamos enfrentar juntos este problema. A resposta de todos é a mesma e afinal, não poderia ser diferente. Somos irmão e estamos juntos para enfrentar os problemas, cada um com seu ponto de vista e forma de ver as coisas, mas estamos juntos até o fim. Então cantamos uma canção, a canção da união e como fossemos uma só voz, a música soou e ecoou através de nós e pudemos sentir um ser de grande luz em nosso ressinto, e um breve perfume pairava no ar.

Após o problema ter sido exposto e discutido, acendemos o fogo sagrado, pedindo cura, equilíbrio e luz em nosso caminho, e então relaxamos e fomos em direção ao caminho de dentro. Viajamos pra dentro de nós mesmos e encontramos o universo. Tive um encontro com uma divindade muito linda e de uma grandeza que não consigo descrever, mas que senti em todos meus corpos, físicos ou não. Ela se mostrou com suas duas faces, me mostrando que o pedido de nós guerreiros tinha sido atendido e o equilíbrio foi estabelecido dentro de nós e de nossa terra sagrada.

E em volta da roda estávamos novamente, desta vez conversamos sobre os acontecidos da noite e simplesmente relaxando, deixando as energias rolares e expandirem. Assim, na calma, equilíbrio e paz, foi feito o encerramento, deixando os corações em festa e mais interligados do que nunca.

AHOW IRMÃOS!!!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Caminho é Simples

Foi uma grande honra estar reunido com meus irmãos em mais este grande ritual de aprendizado. Acredito que para todos, esta foi a grande sensação que a roda nos proporcionou. Nesta noite, aqueles que pouco falavam, conduziram todos a um grande ensinamento, falando sábias palavras; aqueles que se julgavam fortes, sentiram seus joelhos tremerem; aquele que tinha medo, descobriu que todos os outros já tiveram, mas porém continuaram; aqueles que acharam que tinham perdido o contato, descobriram que ele está mais vivo e ativo do que nunca. E dentro de nós o caminho é iluminado a cada passo e que nunca sejamos cegados com luz excessiva, porém que esta luz nunca se apague e seja sempre na medida certa para cada ação.

Escutamos um grande guerreiro que com as mais belas palavras, nos mostrou o que precisamos ouvir. Palavras que não saiam apenas de sua boca, mas sim de sua alma, desta e de outras encarnações. E elas nos deram força, clareza, esperança e muita paz. Estávamos sentados ao pé de um grande guerreiro de outras vidas, aprendendo como pequenos índios guerreiros que escutam atentos as palavras do grande xamã, assim como já aconteceu com este índio que hoje falava para seus amigos, irmãos e guerreiros. E assim o ciclo mais uma vez se repete, como tem de ser.

Então o Grande Espírito nos trouxe música. E nossos corações pulsavam junto com os tambores e então dançamos, a sensação de liberdade percorre nosso ser, transcendemos e junto com outros irmãos, dançamos numa grande roda a festa da vida e de estarmos exatamente onde queríamos estar. As músicas levam nosso corpo e alma a outro estado, onde entendemos melhor o que realmente somos e o porque estamos alí.

Só então acendemos nossa fogueira sagrada e o contato com o todo passa a ser em um nível mais elevado. Nossas mentes estão vazias e podemos entender, nos curar e expandir tudo isso. Corpos, mentes e espíritos unidos. Assim estávamos nós, aprendendo com as chamas que dançavam com a música, dançavam conosco, com outros seres e com o Todo.

Então percebemos que um de nossos irmãos não se sentia bem e então a cura veio para nos ajudar. Porém por um descuido, aquele que devia ser instrumento de cura, acabou contagiado pelas energias que deveria apenas retirar e então por alguns instantes o mesmo adoeceu. Então uma grande presença, que a muito tempo não se manifestava, nos presenteou com sua presença e com maestria curou o doente com sua luz de forma sublime.

Nos sentamos em torno da roda novamente, conversamos e aprendemos, compartilhamos e transmutamos tudo que havia permanecido de que não iriamos utilizar. Palavras mais uma vez, foram ditas por grandes guerreiros, sim, desta vez todos falaram e até aqueles que não se achavam capazes de tão belas palavras, as disseram de forma simples muitas vezes, mas não vejo outra de ser tão perfeitas.

Nunca podemos nos esquecer que a perfeição é simples e que o simples muitas vezes se torna complicado, pois ‘simplesmente’ nós o complicamos. Mas nosso caminho é simples e estamos ‘descomplicando’ e voltando ao básico, onde cada respiração é uma oração, cada toque é uma cura, cada palavra é um coração pulsando em alegria, e cada olhar é um vislumbre de nosso maravilhoso caminho.

AHOW IRMÃOS!!!



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Som do Silêncio

A noite chega e com ela o coração se enche de alegria, pois estamos a caminho. Em nosso caminho para nos conhecermos melhor e assim compreender um pouco do todo.

Abrimos a roda e então sentimos Wakantanka, o grande espírito e grande mistério e sua presença nos fez transbordar de felicidade, e nossas energias são renovadas através da música que entoamos em uma só voz e esta voz não é só nossa. Através de nossos corações e mentes ela flui por nossos corpos e almas. Pedimos então que essa energia se espalhe e atinja a todos que precisam através de nossa Mãe Terra. E sentimos ela se espalhar e assim quem estava disposto e de coração aberto, recebeu e transmutou para algo melhor. Pedimos muito a cura da Mãe Terra que tem sofrido e se transformado, e ela também recebeu esta energia.

Então pedimos ajuda a nosso amigo o Fogo Sagrado para que pudéssemos ajudar um grande guerreiro que estava precisando se encontrar e se redescobrir. Porém mesmo antes de iniciarmos o ritual do Fogo Sagrado, começamos então a curar outra pessoa, para que pudéssemos chegar a este irmão. A relaxamos, e então cantamos, dançamos e com ajuda de algumas ervas e diversas energias que nos rodeavam ela foi curada.

Algumas intenções foram então escritas no papel e ele foi levado até o Fogo Sagrado. Foi possível ver o papel tomar diversas formas antes de então virar apenas cinzas, transmutando todas as intenções e as levanto a uma outra esfera. Após isto, por um único momento, a música cessou, os pensamentos cessaram assim como todos os outros sons e então nosso irmão Silêncio se fez presente, nos levando a contemplar o Todo que estava a nossa volta, nos levando cada vez mais perto da presença do divino. Uma sensação de total liberdade de nossos corpos e alma, em uma conexão única com o universo que nos cerca.

O ritual cessou de forma sutil, conosco conversando em torno da roda, do mesmo jeito que já foi feito milhares de vezes por nosso irmão da antiga linhagem. E este ritual está marcado dentro de nosso ser para sempre. Não como ferro quente no couro de um animal, que após a morte some assim como seus restos mortais, mas sim como o vento que jamais deixou de trazer boas novas.

AHOW IRMÃOS!!!



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma Nova Visão

A noite começa com uma grande expectativa de renovação, iluminação, cura e de paz, pois mais uma vez participaríamos de uma roda de cura e esta energia já nos era emanada desde o início do dia. E isso ficou claro quando ao entrar em contato com um de nosso irmão de roda, pergunto se podíamos fazer uma roda de cura e a sua resposta foi uma risada alta e longa seguida da confirmação de que já estava realmente programado o ritual de cura. Sinceramente acredito que tudo já caminhava para que isso já fosse acontecer e o universo conspirando a favor do que já estávamos, conscientemente ou não, pedindo. E a Cura foi feita de uma forma nova, para nós e muitos aprendizados foram nossa passados.

Começamos cantando e através da música a primeira parte da cura que é, liberta nossos espíritos das amarras da carne e andar pelos caminhos do espírito, mudando nossa percepção do mundo e das coisas que nos cercam. Só então começamos a enxergar com olhos de quem quer realmente ver e sentimos com o coração as energias e seres a nossa volta. Assim encontramos o povo de pele vermelha, o nosso povo. Os animais de poder também nos cercam e podemos então começar nossa confraternização, a nossa troca de energias e ficamos então em paz conosco e com o todo.

Só então em contato pleno com o Grande Espírito, começamos a transmitir a cura. Através de nós mesmos, da fumaça de nossos cachimbos, pelas mãos, pelos tambores e maracas. Emanamos esta cura a todos que pudessem precisar e através da roda, esta energia foi espalhada e atingiu a quem precisada e se permitiu curar.

E de maneira sutil ou não, aprendemos que tudo tem cura ou caminha para a cura, e que muitas coisas podem acontecer em nosso aprendizado, mesmo que a situação nos pareça assustadora, temos que seguir nosso coração e realmente nos escutar, mas escutar nosso verdadeiro EU e não simplesmente seguir nossos impulsos carnais. O que nos parece ameaça, pode ser apenas um sinal e a verdadeira ameaça acaba sendo nós mesmos, o nosso eu inferior que nos leva ao irracional muitas vezes, simplesmente por parecer que estamos fazendo a coisa certa, o ‘racional’ que nos leva a não sentir o todo.

E ser Xamã é tudo isso e muito mais coisas que nem fazemos ideia ainda, mas estamos aqui para descobrir e aprender. E caminhar sempre, afinal nosso caminho já encontramos e a estrada sabemos que não tem fim, mas é exatamente por onde queremos ir.

AHOW!!!